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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 13 de janeiro de 2018

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Crer é caminhar com Jesus e participar da sua missão.
Image result for MISSÃO COM JESUSDepois de ter sido batizado no rio Jordão, Jesus não foi festejar ou tirar férias! O batismo marca o amadurecimento da sua consciência messiânica e sua estreia na missão de libertar a humanidade oprimida e escravizada. Somos hoje convidados a acompanhá-lo nos primeiros passos da sua missão, a deixar-nos interpelar pelo seu olhar, suas ações e suas palavras. Ele dirige a nós seu olhar acolhedor e questionador, e pergunta: “O que você está procurando?” Estas são as primeiras palavras que saem dos lábios de Jesus no evangelho segundo João! Mas também dirige a cada um de nós seu convite: “Vem comigo, vem ver e participar da minha intimidade e experimenta meu amor sem fronteiras...”
João Batista diz que não conhecia bem Jesus antes de tê-lo batizado (cf. 1,33). Vendo-o no rio, misturado a uma pequena multidão de gente marginalizada, humilde e bem intencionada, João vislumbrou em Jesus a Sabedoria de Deus na carne humana, o Amor de Deus acampado no meio de nós, um símbolo da Presença ativa de Deus na libertação dos antepassados, como o era o Cordeiro Pascal, ou o “bode expiatório”, o sujeito que atrai sobre si os pecados e violências sociais. João fala abertamente disso aos discípulos que o seguem, como que indicando uma nova e mais profunda fase da relação com Deus.
Image result for MISSÃO COM JESUSUm dia, vendo Jesus caminhando solitário e meditativo nos arredores de Betânia, perto do rio Jordão, o profeta João chamou a atenção dos próprios discípulos: “É dele que eu falei... Eis o Cordeiro de Deus...” João não apresenta Jesus como Messias, o líder ungido pelo Espírito para resgatar o povo, nem como Rei de Israel, como Filho de Deus ou como Senhor. O Batista busca na tradição ritual do povo de Israel a figura do Cordeiro, que era sacrificado para desculpar os pecados da comunidade. Na tradição espiritual e cultual de Israel, a figura do Cordeiro representa a mansidão, a inocência, a aliança e a entrega solidária.
Apresentando Jesus desse modo, João acrescenta que ele é aquele “que tira ou carrega o pecado do mundo”. Ou seja: Jesus não está aí para, em nome de Deus, jogar na cara dos homens e mulheres sua insuperável condição de pecadores, ou para recordar o passado, mas para atrair sobre si mesmo a violência que tende a explodir sobre os mais fracos e para abrir um caminho de liberdade e de comunhão. Nas palavras de João Batista transparece a intuição de que o Messias esperado age mais como amigo que como juiz, mais como irmão que como acusador, mais como companheiro que como chefe.
Ouvindo as breves palavras com as quais João apresenta aquele jovem galileu até então incógnito, dois discípulos de João deixam-no e se põem a caminho, seguindo Jesus. Aproximam-se dele sem dizer nada, um pouco curiosos, um pouco tímidos. Um se chama André e é irmão de Simão, que conhecemos como Pedro. Eles entram no caminho de Jesus acatando a indicação de João Batista. Não terá sido fácil deixar o mestre já conhecido e sua pregação clara e interpeladora para seguir um jovem até então desconhecido... E Jesus nem os havia chamado, como costumavam fazer os demais mestres...
Image result for MISSÃO COM JESUSNum dado momento, percebendo que André e o outro seguiam-no já há algum tempo, Jesus se volta e lhes pergunta: “Que procurais?” Não pede o que pensam dele, mas interroga sobre os interesses e expectativas que os movem. A resposta deles é curta e objetiva: “Mestre, onde moras?” Eles desejam passar ao seu campo de influência, aprender a partir da convivência e da experiência, participar da sua intimidade e da sua missão. E Jesus os convida a ir e ver, a descobrir como nele a Palavra de Deus se torna carne. E eles vão, começam a viver com Jesus, para sempre membros do seu corpo.
Profundamente impressionados com aquilo que viram e experimentaram, os novos discípulos espalham a notícia. André vai buscar seu irmão Pedro, que como ele, tinha vindo de Betsaida para escutar e seguir João Batista, e anuncia-lhe a boa notícia: “Encontramos o Cristo!” E leva-o a Jesus, que dirige um olhar amoroso e profundo a um Pedro que permanece rígido como uma pedra... Pedro havia rompido com o status quo e esperava o Messias, mas terá que mudar sua ideia de um Messias guerreiro e assimilar a imagem de um Messias Cordeiro. Será um processo difícil e exigente, que levará mais de três anos...
Image result for MISSÃO COM JESUSAmado e querido Jesus, filho de José e Cordeiro de Deus: Como André, queremos entrar na tenda que armaste entre os pobres e te conhecer. Livra-nos da passividade e do silêncio resistentes de Pedro. Salva tua Igreja da rigidez, do fechamento e da autossuficiência, verdadeira pedra de tropeço para aqueles que te buscam com coração sincero. Acorda-nos da ilusão de sermos maioria, do repouso tranquilo sobre as glórias do passado, da falta de atenção à tua Palavra viva e eficaz. E acolhe-nos na tua intimidade, para que, caminhando contigo e sendo membros do teu corpo, vejamos e acreditemos! Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

sábado, 6 de janeiro de 2018

SEJA VOCÊ UMA EPIFANIA

Image result for EPIFANIAEpifania… Uma linda palavra, não é mesmo? Para nós, católicos, a Epifania significa a festa da manifestação de Jesus Cristo aos três Reis Magos. Em outras interpretações do termo, no entanto, uma epifania é o momento em que uma grande ideia ou lampejo ocorre a alguém ("Tive uma epifania ontem à noite…"). Ambos os sentidos encontram a sua raiz no verbo grego que significa “revelar”. Em nosso caso, “A Epifania”, com maiúsculas, é o fato de que Deus se revela ao mundo no Menino Jesus. Todas as outras epifanias são pálidas em comparação com esta.

Mateus narra a Epifania com riqueza de detalhes, lançando mão de outras pequenas epifanias ou revelações que adicionam beleza ao evento principal. Sobre qual desses detalhes será que vamos falar hoje?

Que tal sobre o rei Herodes, que representa os poderes civis do mundo? Ele fica obviamente perturbado com a profecia e tem medo de perder o seu poder. Por isso, ele quer matar o Rei dos Reis. Nós ainda vemos, infelizmente, manifestações desse tipo o tempo todo em nosso mundo, por parte das autoridades civis que tentam matar o Evangelho.
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E que tal falarmos da estrela? A estrela no céu, visível para todos aqueles que procuravam o conhecimento (a verdade), serve para nos lembrar de que Deus sempre guia a todos para Si. Vivemos num mundo em que as pessoas tantas vezes pensam que a verdade está no fundo delas mesmas; embora a reflexão sobre si próprio seja muitas vezes uma coisa boa, o fato é que as pessoas, ultimamente, precisam olhar mais para fora delas mesmas e para o céu a fim de enxergar que Deus brilha para quem olha para cima.

Image result for EPIFANIAE quanto aos Reis Magos? Esses gentios (ou seja, não judeus) são para nós um sinal de que, através do nascimento de Jesus, o relacionamento especial de Deus com os judeus estava sendo estendido a todo o mundo. Aqueles reis, sábios porque honestamente procuravam a verdade mesmo que ela desafiasse as suas crenças antigas, se ajoelharam diante do Rei dos Reis em adoração. Ao fazerem isso, eles nos deram o exemplo de como procurar pelo Senhor e de como comportar-nos em Sua presença.

E os presentes dos Reis Magos, o ouro, o incenso e a mirra? Esses três presentes (a partir dos quais inferimos que os Reis Magos eram três, embora o número deles não seja explicitado) nos dizem quem é aquela criança. O ouro significa que Ele é rei; o incenso significa que Ele é sacerdote e intercede junto a Deus em nosso favor; e a mirra, especiaria usada no embalsamamento, atesta que Jesus sofreria e morreria pelos nossos pecados. Mas disso tudo nós já sabemos.

Que tal então falarmos dos “nossos” presentes a Ele?



Image result for EPIFANIADeus nos deu o maior de todos os presentes, já que nos entregou o Seu Filho; e nós, assim como os Reis Magos, fazemos muito bem em querer retribuir. Não é que Jesus precise de presentes nossos; nós é que precisamos presenteá-lo para crescermos em nosso relacionamento com Ele. Na falta de ouro, incenso e mirra, que, normalmente, não estão disponíveis nas lojas de conveniência, nós podemos oferecer os nossos próprios presentes pessoais. Podemos dar a Ele coisas materiais (equivalentes ao ouro do Reis Magos) e, assim, nos lembrar de que tudo o que temos pertence ao Rei dos Reis. Podemos dar a Ele as nossas orações (o nosso incenso), tanto orando por nós mesmos quanto pelos outros, a fim de nos lembrarmos do quanto é importante ficar em diálogo com Deus. Por fim, podemos dar a Jesus os nossos sofrimentos e aflições (a mirra), o que nos recorda que, apesar de ser verdade que nós sofremos neste mundo, o sofrimento não precisa nos deixar amargurados, já que a Cruz de Cristo o transforma em esperança.
E quanto ao cenário? Todas as coisas citadas acima são dignas de contemplação, mas, para hoje, eu gostaria de sugerir que nos concentrássemos neste aspecto da Epifania: o cenário.

Comemoramos o Natal tantas vezes que é fácil nos esquecermos da sua magnitude. O Deus do Universo, infinito, todo-poderoso e eterno, desceu dos céus e se fez homem por amor a nós. Mas não apenas homem: ele se fez bebê! Profetas e anjos, durante séculos, proclamaram a Palavra de Deus, mas Deus sabia que nós, em nossa teimosia, precisávamos realmente vê-lo e ouvi-lo; assim, Ele veio a este mundo como um bebê para compartilhar a nossa experiência humana e para que nós pudéssemos relacionar-nos com Ele.


Este grande evento não aconteceu dentro de um grande templo, nem de um palácio, nem de qualquer outro local grandioso. Aconteceu num estábulo, com ninguém por perto a não ser a Sagrada Família. Nem mesmo o mais sábio de todos os sábios poderia ter previsto algo tão humilhante e ridículo. Além disso, quando os Reis Magos viajaram seguindo uma estrela milagrosa no céu, eles muito dificilmente devem ter imaginado que seriam levados até uma pequena cidade na periferia da capital, nem a um abrigo tão simplório. Que coisa mais ordinária! E foi exatamente esse, no entanto, o lugar onde eles encontraram o Rei dos Reis.

Talvez esta seja uma das maiores epifanias da Epifania. Num mundo de brilho, glamour e espetáculo, é fácil pensarmos que qualquer coisa que vale a pena ter ou fazer tem que ser grande e espetacular. Somos tentados a pensar que, para tocar no divino, precisamos fazer grandes coisas e ir para grandes lugares. Não estou sugerindo de forma alguma que não há espaço para as grandes coisas. Tanto vamos a igrejas e capelas grandes quanto pequenas para nos inspirar e para adorar a Deus e ser alimentados por Ele, mas temos que nos lembrar sempre de que o Rei dos Reis não fica restrito àquelas paredes.
 
Jesus Cristo se encontra nas pessoas e nos acontecimentos comuns da nossa vida e nós somos chamados a reconhecer e ampliar essa realidade. Os sábios deste mundo, homens e mulheres que procuram a verdade, podem não estar seguindo uma estrela nem se sentindo atraídos a entrar numa grande igreja, mas eles podem encontrar você!

A Epifania não é simplesmente algo que aconteceu uma única vez, há mais de dois mil anos, e sim um evento que deve repetir-se em nossa vida de todos os dias, em cujo decorrer nos transformamos em ocasiões para que os outros encontrem a Cristo.


Seja uma epifania!

SOLENIDADE DA EPIFANIA

Deus desmascara a ideologia do poder e da exclusividade!
Image result for EPIFANIAO natal promovido e dinamizado pelo comércio vai desaparecendo das vitrines enquanto os comerciantes fazem as contas. As liquidações ainda atraem alguns consumidores insaciáveis, enquanto vamos consumindo, meio a contragosto, os últimos chocolates e panetones. Mas a liturgia católica vai na contramão, e está a nos lembrar que o mistério do Natal de Jesus ainda não se esgotou, e continua a nos iluminar e interpelar com sua novidade inapreensível e sua beleza envolvente. A festa da epifania de Jesus sublinha um aspecto novo do Natal: em Belém, Deus se manifesta para o bem de todos os povos.
Algumas décadas depois do nascimento de Jesus, e vários anos depois de ele ter sofrido a condenação e a morte e de ter sido ressuscitado, na voz de Paulo ressoa uma convicção arraigada na vida dos discípulos e discípulas: em Jesus, na sua vida e nas suas palavras, Deus revela sua mais límpida vontade, ou seja, que todos os povos e nações que não pertencem ao judaísmo – os chamados pagãos – são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo e são associados à mesma promessa, a isso que os judeus afirmavam ser exclusivamente reservado a quem fosse da sua raça e aceitasse suas leis.
Image result for EPIFANIAÉ muito presente e atraente, também hoje, a tentação de dividir a humanidade em dois grupos: judeus e pagãos, as pessoas do bem e as pessoas do mal, os cidadãos e os não cidadãos, os santos e os pecadores, os cristãos e os hereges, os que tem méritos e os que nada merecem, nós e eles... Via de regra, aqueles que estabelecem e proclamam essa divisão se incluem sempre no primeiro grupo, os que agradariam a Deus e para quem Deus teria revelado sua vontade... Não conseguem imaginar ou entender que, em Belém e na Galileia, na Judeia e na Samaria, Jesus tenha contestado e desmascarado essa ideologia.
Mas a manifestação de Deus em Belém e em Nazaré, na estrebaria e na cruz, nas estradas e no templo, se confronta com uma outra doce e piedosa tentação: a ideologia do poder, que imagina e anuncia que Deus é todo-poderoso e age prioritariamente mediante as pessoas que se destacam pelo poder, pelo saber ou pela riqueza. Ao proclamar que o Senhor dos senhores veio a nós e que em suas mãos está o poder e a realeza, e ao perguntar onde está o rei dos Judeus que acaba de nascer, a antífona da liturgia de hoje e os magos do evangelho parecem confirmar essa ideologia. Mas ambos nos remetem a uma estrebaria, a uma cocheira de animais e a um Menino enrolado em pobres panos, sem poder ou realeza.
Image result for EPIFANIACom a liturgia da epifania do Filho de Deus, a Igreja quer suscitar nos cristãos tanto a alegria como o discernimento, mas a primeira depende essencialmente do segundo. Orgulhosas pretensões de superioridade e de precedência não podem nos fazer esquecer que os primeiros sujeitos que se mostraram capazes de reconhecer a manifestação de Deus em Jesus Cristo foram pastores e pagãos, pecadores e prostitutas. Enquanto pagãos deixam a zona de conforto, buscam e perguntam, o poderoso Herodes é tomado pelo medo e os mestres e sacerdotes apenas ensinam, incapazes de dar um passo.
Em Jesus, Deus vem ao encontro daqueles que estão longe, que são tratados como últimos, que nada merecem e nada podem. E se revela aos utópicos e sonhadores, aos buscadores de terras sem males, aos construtores do bem viver, aos nômades e vagantes num mundo que aborta os sonhos, que substitui o paraíso pelo shopping center, que não reconhece limites para a ambição, que turbina as paixões desprovidas de razão, que repete doce mentiras para convencer os pobres a aprovar projetos que os golpeiam, como fazem Temer e seus asseclas em relação à reforma da Previdência.
Image result for EPIFANIADiante de tão grande e belo mistério, que passou despercebido às gerações anteriores e parece um equívoco aos poderosos de plantão, uma parte da nossa resposta é aquela à qual nos chama a profecia de Isaias: levantar os olhos, ver a libertação desabrochando por todos os lados, ficar radiante e vibrar de alegria, sentir o coração batendo forte e querendo saltar pela boca... Mas o outro lado dessa resposta é a ruptura com todo e qualquer resquício de colaboração com a ideologia dos meios poderosos e da superioridade ética ou religiosa. Depois de adorar Jesus, os magos pagãos voltam por outro caminho...
Jesus, Deus Menino, Deus em fraldas, carne da nossa carne! Chegamos a esta fase da nossa caminhada e à tua tenda, que é casa de todos os homens e mulheres de boa vontade, acompanhando buscadores estrangeiros e guiados por sinais às vezes obscuros. Na verdade, é unicamente a sede que nos guia à fonte, é unicamente a busca que nos mantem no caminho, é apenas o sonho que nos mantém com os pés no chão. E isso é tudo o que te oferecemos: nossa sede, nossa busca, nossos sonhos.  Pois sabemos que, mesmo quando não te vemos nem reconhecemos, já nos encontraste e abraçaste, incondicionalmente. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

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