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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 19 de maio de 2018

SOLENIDADE DE PENTECOSTES


Envia-nos teu Espírito de indignação profética!
Resultado de imagem para espirito santo de deusA festa de Pentecostes é a culminância da caminhada pascal.  Como a comunidade apostólica dos sagrados começos, pedimos que o Espírito realize em nós a obra do Pai e do Filho, nos dê respiro e vida, nos ensine a testemunhar e anunciar o Reino de Deus na língua das diversas culturas, derrube os muros que os medos e prepotências ergueram, desperte a imaginação e a indignação proféticas, abra as portas das Igrejas e as coloque em ritmo de saída. Pois é o Espírito de Deus quem cria os vínculos entre as criaturas, suscita e sustenta os processos de libertação e garante a liberdade e a criatividade.
Escrevendo à comunidade cristã de Corinto, Paulo sublinha: há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diferença de funções mas o Senhor é o mesmo; multiplicidade de ações, mas um só Deus. Por isso, não há como sustentar a supremacia do clero sobre os demais fiéis, dos católicos sobre os evangélicos, dos crentes sobre os ateus. No bojo da ventania que vem do Espírito de Jesus, caem também os muros que separam religiões pretensamente verdadeiras das assim chamadas simples crenças, como também as escadas que elevam as religiões que se auto definem verdadeiras e rotulam as demais como falsas. E são carimbadas como ultrapassadas as ideologias que separam os mundos espiritual e material.
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Uma dos traços da experiência Espírito que ficou gravada na mente dos apóstolos é o ruído de um vento forte e a imagem de línguas de fogo repousando sobre a comunidade reunida. Vento forte e línguas de fogo remetem a um dinamismo incontrolável, a uma força que move e leva adiante, a uma palavra forte e mobilizadora. São imagens que lembram o furacão da profecia, a eloquência de homens e mulheres que falam, gritam e agem em nome de sonhos e ideais que pertencem a todos. Aquele punhado de gente reunida em Jerusalém passa a falar intrepidamente e a enfrentar autoridades e sistemas constituídos...
É claro que a vida no Espírito se expressa na oração, na adoração, no canto, na consolação e na alegria, mas é claro que não se resume nisso. Jesus Cristo é o homem do Espírito, e sua proposta não é a de um guru a serviço do bem-estar individual. Ele é modelo de uma vida descentrada de si, de uma atuação absolutamente voltada às necessidades e à dignidade dos outros, de uma inserção questionadora e transformadora no palco da história. A obra do Espírito Santo no mundo não se mostra nos templos monumentais ou nas instituições sólidas, mas em homens e mulheres novos, livres e solidários.
Resultado de imagem para espirito santo de deusO Espírito é o sopro de Deus que faz novas todas as coisas, renova a face da terra. Mas ele costuma começar renovando radicalmente as pessoas que seguem Jesus Cristo, despindo-as da roupagem da indiferença, purificando-as da impureza da dominação, desautorizando aquela “velha opinião formada sobre tudo”, dispersando o pó que se acumulou sobre as doutrinas e leis, abrindo as janelas fechadas pelo medo, fazendo-as renascer no ventre da liberdade e da gratuidade. Assim aconteceu com Jesus, assim são chamados a ser aqueles que nele acreditam e receberam seu divino Sopro.
Por isso, o envio do Espírito Santo é também o lançamento missionário da comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus. “Como o Pai me enviou, eu também envio vocês!” Ele nos envia com a missão de tirar o pecado do mundo e arcar com seu custo, como ele mesmo o fez, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tirar o pecado do mundo (no singular!) significa, hoje, entre outras coisas, combater sem tréguas o vírus do ódio. Como não se preocupar com o fomento interesseiro do ódio a toda iniciativa que possa mudar minimamente a estrutura classista e excludente da sociedade brasileira?
Resultado de imagem para espirito santo de deusQuem recebe o Espírito de Jesus e por ele se deixa guiar perde para sempre a tranquilidade daqueles que se escondem atrás dos muros dos condomínios fechados e dos ritos que anestesiam e aprisionam as consciências. O Espírito fere de morte todas as formas de indiferença e fechamento! Quem hospeda o Espírito e nele renasce acaba a quilômetros de distância do imobilismo omisso, pregado em cultos frequentados por multidões sedentas de prosperidade e de cura, e se engaja, com humildade e firmeza, no caminho ecumênico, respeitando as diferenças e sonhando com o dia em que todos seremos um.
A ti, Deus pai e mãe, voltamos nossos olhos e nossas mãos para pedir, com todas as forças do nosso ser: envia sobre nós e sobre a Igreja teu divino Sopro! Sem ele, a missão não passa de conquista; a igreja atua como mera sociedade de classes; o Evangelho se reduz a lei implacável; a moral infantiliza e aprisiona; o ministério se reveste de poder e tirania; a liturgia vira arqueologia e fuga do compromisso. Envia teu Espirito para revitalizar os ossos ressequidos, sacudir as democracias vazias e questionar governos ilegítimos e saqueadores, mesmo quando se apresentam com o selo da religião. Assim seja! Amém!
 Itacir Brassiani msf

sábado, 12 de maio de 2018

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS


Resultado de imagem para jornada mundial das comunicações sociaisTema: «"A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32).
Fake news e jornalismo de paz»
Queridos irmãos e irmãs!

No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das «notícias falsas», as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade.
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1. Que há de falso nas «notícias falsas»?

A expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos.
A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas mas verosímis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos.
A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogéneos e impermeáveis a perspetivas e opiniões divergentes. Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos. Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade.

2. Como podemos reconhecê-las?

Resultado de imagem para jornada mundial das comunicações sociaisNenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, são louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louváveis são as iniciativas institucionais e jurídicas empenhadas na definição de normativas que visam circunscrever o fenómeno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, idóneas para definir novos critérios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detrás de milhões de perfis digitais.

Mas a prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis (cf. 3, 1-15) – a qual se tornou, nos primórdios da humanidade, artífice da primeira fake news, que levou às trágicas consequências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (cf. Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação. A estratégia deste habilidoso «pai da mentira» (Jo 8, 44) é precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedução que abre caminho no coração do homem com argumentações falsas e aliciantes. De facto, na narração do pecado original, o tentador aproxima-se da mulher, fingindo ser seu amigo e interessar-se pelo seu bem. Começa o diálogo com uma afirmação verdadeira, mas só em parte: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» (Gn 3, 1). Na realidade, o que Deus dissera a Adão não foi que não comesse de nenhuma árvore, mas apenas de uma árvore: «Não comas o [fruto] da árvore do conhecimento do bem e do mal» (Gn 2, 17). Retorquindo, a mulher explica isso mesmo à serpente, mas deixa-se atrair pela sua provocação: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Nunca o deveis comer nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis”» (Gn 3, 2-3). Esta resposta tem sabor a legalismo e pessimismo: dando crédito ao falsário e deixando-se atrair pela sua apresentação dos factos, a mulher extravia-se. Em primeiro lugar, dá ouvidos à sua réplica tranquilizadora: «Não, não morrereis»(3, 4). Depois a argumentação do tentador assume uma aparência credível: «Deus sabe que, no dia em que comerdes [desse fruto], abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal»(3, 5). Enfim, ela chega a desconfiar da recomendação paterna de Deus, que tinha em vista o seu bem, para seguir o aliciamento sedutor do inimigo: «Vendo a mulher que o fruto devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto (…) agarrou do fruto, comeu»(3, 6). Este episódio bíblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.
De facto, está em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações económicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas manifestações: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação.

3. «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32)
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De facto, a contaminação contínua por uma linguagem enganadora acaba por ofuscar o íntimo da pessoa. Dostoevskij deixou escrito algo de notável neste sentido: «Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo» (Os irmãos Karamazov, II, 2).

E então como defender-nos? O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, «desvendar a realidade», como faz pensar o termo que a designa em grego: aletheia, de a-lethès, «não escondido». A verdade tem a ver com a vida inteira. Na Bíblia, reúne os significados de apoio, solidez, confiança, como sugere a raiz ‘aman (daqui provém o próprio Amen litúrgico). A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo. Eis a afirmação de Jesus: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: «A verdade vos tornará livres»(Jo 8, 32).

Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca. Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De facto, uma argumentação impecável pode basear-se em factos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polémica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade.

4. A paz é a verdadeira notícia

Resultado de imagem para jornada mundial das comunicações sociaisO melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. No meio do frenesim das notícias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz.

Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas às escalation do clamor e da violência verbal.

Por isso, inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:

Resultado de imagem para jornada mundial das comunicações sociaisSenhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amen.

Vaticano, 24 de janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano de 2018.

Franciscus

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR


Resultado de imagem para ascensão do senhorA Igreja une à solenidade da ascensão de Jesus a Jornada Mundial das Comunicações Sociais, que neste ano tem como tema de reflexão as Fake News, as notícias falsas com aparência de verdade. Por isso, a pergunta provocadora: em que medida a boa notícia da ascensão de Jesus pode induzir à fuga da realidade, à falsificação da dureza da morte e do fim de Jesus, ou então abrir-nos a uma verdade libertadora e convocadora à ação? Qual é seu sentido? Com a ascensão, Jesus teria dado definitivamente as costas à humanidade e voltado à harmonia celeste de onde veio e pela qual suspiramos?
A palavra ascensão lembra subida, elevação, movimento de distanciamento. Mas expressa também a ideia e a experiência de ser destacado, promovido, reconhecido, reabilitado. É este segundo o sentido original da boa notícia pregada pelos cristãos a respeito de Jesus de Nazaré. Proclamar a ascensão de Jesus é um modo de proclamar sua ressurreição, de afirmar que a pedra rejeitada pelos construtores foi considerada pedra principal, que aquele que fora eliminado como subversivo e maldito é a mais plena expressão de Deus e do ser humano.  Ele se tornou um projeto, uma ideia que não pode ser aprisionada.
Resultado de imagem para ascensão do senhor
Na carta aos cristãos de Éfeso, Paulo manifesta o desejo de que o Espírito Santo lhes revele Deus em sua amável nudez e os ajude a conhecê-lo em profundidade. Conhecer Deus assim como se revelou em Jesus de Nazaré significa reconhecer e assimilar a esperança para a qual Ele nos chama e a herança gloriosa que ele nos concede: continuar na história sua vida de profeta e servidor; ser no mundo seu corpo vivo, corpo sob o qual tudo o mais foi colocado e acima do qual nada de significativo existe, fora o próprio mistério de Deus. E isso sem fugir do mundo, sem pensar que para seguir Jesus precisamos fugir dele.
Mas nunca é demais lembrar que a vida cristã é muito mais que desejo ou contemplação extática da plenitude divina. A pergunta que os anjos fazem aos apóstolos inertes ressoa hoje aos nossos ouvidos e espera uma resposta: “Por que vocês estão aí parados, olhando para o céu?” Os discípulos de Jesus Cristo não podemos permanecer na simples contemplação de alguém que subiu ao céu, mesmo que este alguém seja o próprio Jesus Cristo. A ascensão de Jesus não significa o fim da sua presença no meio de nós. Ao contrário, é o início da missão em seu nome, sob a guia do seu Espírito.
Resultado de imagem para ascensão do senhorA Palavra de Deus deixa isso bastante claro. “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa para todas as pessoas”. A liturgia da ascensão focaliza esta responsabilidade intransferível da comunidade cristã. Convictos de que o Crucificado foi exaltado, vencemos o medo e tornamo-nos testemunhas de Jesus Cristo no coração do mundo e nos pulmões da história. E sabemos que testemunhar significa afirmar e trilhar o caminho do amor serviçal e solidário, trazer no corpo as marcas de Jesus Cristo: amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu...
A Palavra de Deus atesta também que a ascensão de Jesus Cristo não é um distanciamento em relação aos seus discípulos e discípulas, uma fuga do mundo e dos seus desafios. Antes, é a identificação plena de Jesus com Deus, permanecendo plenamente inserido no mundo. E isso não é algo que tem a ver apenas com Jesus de Nazaré: ele é o primogênito de muitos irmãos e irmãs, a cabeça de um corpo de muitos e variados membros. À glorificação do primogênito segue-se a honra dos seus irmãos e irmãs. À elevação da cabeça segue-se o reconhecimento da dignidade daqueles que realizam sua vontade.
Resultado de imagem para ascensão do senhorNo Brasil, a ascensão de Jesus também abre Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que une fiéis católicos e evangélicos numa mesma e intensa prece. Para nós, cristãos católicos, já soou o tempo de deixar a lamentação e a negação das estatísticas que mostram a diminuição do percentual de católicos e o crescimento do índice de cristãos evangélicos. Do ponto de vista do Evangelho, não interessa o crescimento numérico deste ou daquele segmento cristão, mas que Jesus seja conhecido e seguido, que os cristãos deem testemunho de unidade e ajudem a construir uma sociedade fraterna e solidária.
Jesus de Nazaré, sacramento do abraço entre o céu e a terra, profeta de um mundo sem senhores e sem escravos: depois de termos acompanhado tua progressiva manifestação aos discípulos e a missão que confias a quem te segue, queremos hoje contemplar teu pleno reconhecimento pelo Pai. Ajuda-nos a entender que é porque abriste mão de todo e qualquer privilégio e te fizeste humano e igual ao mais humilde que teu nome é incomparável e diante de ti se dobram todos os joelhos. E ajuda-nos a compreender que é descendo, amando e servindo nossos irmãos que seremos tuas testemunhas. Disso, o dedicado, despojado e delicado amor das mães é sinal e sacramento. Assim seja! Amém!
 Itacir Brassiani msf

sábado, 5 de maio de 2018

6º DOMINGO DO TEMPO PASCAL


Jesus Cristo é a perfeita expressão e a medida de todo amor.
Resultado de imagem para o meu mandamento é este amai vos como eu vos ameiAmor é uma palavra à qual damos sentidos muito variáveis e diferentes. A maioria das pessoas coloca o amor no âmbito dos sentimentos e, com isso, acaba eliminando sua essência. Se é verdade que o Evangelho segundo João dá ao amor fraterno num lugar central no anúncio de Jesus, não podemos esquecer que os evangelhos sinóticos conferem esta mesma centralidade à prática da nova justiça do Reino de Deus. Por isso, é preciso escutar com atenção e acolher com inteligência a proposta que Jesus nos faz no trecho do Evangelho que a Igreja propõe para este sexto domingo do tempo pascal.
Um caminho que pode nos ajudar a evitar as armadilhas do sentimentalismo é compreender o amor mais como verbo que como substantivo. A questão é como amar, e não o que é o amor. Quem conjugou o verbo amar em todos tempos, modos e pessoas foi Jesus Cristo. As primeiras comunidades cristãs compreenderam e expressaram isso de muitos modos, mas sobressai o que lemos na primeira carta de João: “Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo para dar-nos a vida por meio dele.” A pessoa concreta de Jesus de Nazaré, nas palavras que pronunciou e nas ações solidárias que realizou, é como a vitrine que expõe o amor de Deus no mundo.
Resultado de imagem para o meu mandamento é este amai vos como eu vos amei
Eis como Jesus concretizou o amor: acolheu pecadores e resgatou dignidade deles; compadeceu-se dos famintos e multiplicou pães e peixes; comoveu-se com o sofrimento das pessoas doentes  e deu-lhes condições de plena cidadania; tomou a defesa de mulheres condenadas violentamente pelos próprios homens que as usavam;  atendeu às necessidades de pagãos e estrangeiros, dividindo com eles aquilo que era destinado apenas aos judeus; aproximou-se das pessoas excluídas e sentou-se com elas à mesa; afirmou profeticamente que os últimos da escala social são os primeiros na perspectiva de Deus.
Tudo isso porque Deus é amor, e seu amor não se mostra em suspiros e sentimentos profundos, mas em ações que garantem a quem é diverso o direito de ser e atendem suas necessidades sem impor qualquer espécie de condição. Jesus diz que nos ama na mesma dinâmica e com a mesma intensidade com que é amado pelo seu e nosso Pai. E é nessa força e nesse espírito que nos sentimos chamados e capacitados a amar. O amor de Deus que se tornou visível em Jesus Cristo se torna em nós dom e mandamento. “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros assim como eu amei vocês.”
Resultado de imagem para o meu mandamento é este amai vos como eu vos ameiComo Jesus nos revelou, a vivência do amor tem mais a ver com decisão e vontade que com sentimento. O sentimento é involuntário e se impõe sobre a vontade, enquanto que o amor é a decisão de fazer-se próximo e servidor de quem é diferente e pode estar precisando de nós, e não mero sentimento. Amar significa bem-querer, bem-dizer e bem-fazer, tudo ao mesmo tempo. É desejo, palavra e ação. É nessa linha que João nos interroga: “Se alguém possui os bens deste mundo e, vendo seu irmão em necessidade, fecha-lhe o coração, como pode o amor de Deus permanecer nele?” (1Jo 3,17)
No evangelho que meditamos hoje, Jesus apresenta a si mesmo como medida e referência do amor: “Amem-se uns aos outros assim como eu amei vocês”. Jesus é a medida do amor que inspira os cristãos. Com isso, Jesus quer nos libertar da tentação de colocar nossos desejos como referência essencial para todas as relações. O amor se concretiza no relacionamento de igual para igual, na abolição de hierarquias, senhorios e servidões, na atitude de serviço. O próprio Jesus não nos trata como servos mas como iguais, pois não reserva nada para si mesmo, e comunicar tudo significa confiar irrestritamente.
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Mas o amor cristão tem múltiplas dimensões, e uma delas é a dimensão social, apostólica ou missionária. Está muito claro que o amor generoso e intenso com que Jesus nos ama não tem como finalidade criar uma comunidade ou um clube de bajuladores ou publicitários que alardeiam suas qualidades divinas.  O amor maduro frutifica em missão solidária e transformadora. A amizade com Jesus se mostra na participação na sua missão. O amor de Jesus Cristo se realiza quando renascemos e agimos como pessoas adultas, capazes de agir orientados pelas próprias convicções e por valores essencialmente humanos.
Jesus de Nazaré, filho de Deus e filho da humanidade, fonte e medida de todo amor: faz com que teu amor por nós se transforme em amor pelos irmãos e irmãs, e converte tua igreja, hierárquica e desigual, em comunidade de pessoas amigas e igualmente servidoras. Faz com que, inspirados em Paulo, deixemos de ser defensores infantis das instituições e vivamos como testemunhas de um amor despojado, crucificado e renovado. Ajuda nossas autoridades a descobrirem que elas permanecem sempre e fundamentalmente humanas, e isso é bom e bonito. Assim seja! Amém!
 Itacir Brassiani msf
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